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OCTÁVIO PASSOS/ GLOBAL IMAGENS
Nasceu em Niort, em 1984, mas passou parte da infância e adolescência em África. Tem como referências musicais músicos tão diversos como Pink Floyd, James Blake, Claude Debussy, John Coltrane ou Oumou Sangaré e hoje é um dos nomes mais importantes do jazz em França. Mas Anne Paceo não se fecha em fronteiras musicais. Toca hoje, no festival MIMO, às 20.30.

Porque escolheu aprender bateria aos 10 anos?

Os meus pais perguntaram-me se eu queria aprender violino, piano ou contrabaixo. E eu respondi bateria. Não sei porquê. Mas na altura vivíamos na Costa do Marfim e desde pequenina que ouvia percussionistas a tocar dia e noite junto à nossa casa. Por isso a minha família diz que isso me inspirou a escolher a bateria.

E porquê o jazz?

De início comecei na pop. Mas depois os meus pais mudaram-se para Paris e quando lá cheguei soube de uma banda de jazz que precisava de um baterista. Comecei assim e apaixonei-me pelo jazz, pela sua liberdade. Depois fiz estudos de jazz, o que é ótimo para aprender bateria e música em geral. Mais tarde começaram a convidar-me para fazer concertos de jazz. Mas hoje toco jazz, toco pop, toco eletrónica… Inspiro-me em tudo um pouco e gosto de tocar estilos diferentes. Se me toca, se me emociona, eu toco.

Consegue explicar porque há poucas mulheres bateristas?

Acho que está a mudar. Quando ando de avião não vejo muitas mulheres a pilotar. Também há poucas mulheres à frente das grandes empresas. Na nossa sociedade europeia ainda não há igualdade entre os homens e as mulheres. Quando se pensa em bateria uma pessoa pensa em músculos e força. Mas não é nada disso. Ainda há muito a fazer para melhorar a situação das mulheres.

Existe uma forma feminina de tocar bateria?

Não sei, se pusermos uma cortina à frente provavelmente não se sabe quem está a tocar. Para se ser um baterista poderoso não é necessário bater com força, é tocar no momento certo e da maneira certa.

A política interessa-lhe?

Sim, mas o que é mais importante para mim é tocar e dar alegria às pessoas. Mas se o que faço pode dar inspiração às mulheres para serem instrumentistas ou fazerem parte de um movimento, melhor.

O jazz que toca é harmonioso e num certo sentido clássico. Não se revê no free jazz e na improvisação?

Há muita improvisação nas minhas músicas, mas gosto muito de melodia, é para mim o mais importante. Se eu não consigo cantar uma música, ela não me diz nada. Nas minhas músicas há improvisação, mas encontramos uma forma de terem melodia.

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